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Bolsonaro visita Festa do Peão, recebe afago de Tarcísio e ignora investigações

 


O ex-presidente esteve na cidade para receber um título de cidadão honorário aprovado pela Câmara Municipal no início do mês, acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de secretários e deputados.

MARCELO TOLEDO
BARRETOS, SP (FOLHAPRESS) - Em um tour em Barretos (a 423 km de São Paulo) que contou com discurso na arena de rodeios da Festa do Peão de Boiadeiro, Jair Bolsonaro (PL) disse que não está fazendo política e que, "enquanto vivo estiver", estará ao lado do povo, ignorando investigações das quais é alvo.

O ex-presidente esteve na cidade para receber um título de cidadão honorário aprovado pela Câmara Municipal no início do mês, acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de secretários e deputados.

Bolsonaro entrou no estádio por volta das 20h e ficou uma hora no local. Apareceu algumas vezes no telão, citado por apoiadores –dentre eles o locutor de rodeios e amigo Cuiabano Lima– e foi ovacionado pelo público que lotava as arquibancadas.

O ex-presidente se aproximou do compartimento dos animais, acabou se desequilibrando, caiu e foi rapidamente levantado por aliados. Após brincar próximo do local de onde partem as montarias, discursou.

Tarcísio disse que estava feliz por ser acompanhado de Bolsonaro, "que abriu todas as portas, foi muito importante para mim, um grande amigo", e passou o microfone ao ex-presidente. Recentemente, o governador de São Paulo realinhou o discurso com a direita conservadora após episódios de tensão entre ele e sua base bolsonarista, incluindo o ex-presidente.

"Fizemos o possível, entregamos, infelizmente, o Brasil bem melhor do que recebi lá atrás. Digo infelizmente em vista de quem assumiu. Nós não estamos aqui fazendo política, o Brasil é de todos nós", disse Bolsonaro, declarado inelegível no fim de junho pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No rancho Ponto de Pouso, dentro do Parque do Peão, onde recebeu o título de cidadão honorário, Bolsonaro criticou em um breve discurso a Reforma Tributária, que em sua avaliação é prejudicial ao agronegócio. Disse que seu partido espera resolver isso no Senado.

Ele ignorou ações e investigações das quais é alvo, como o caso das joias, que o levará a um depoimento simultâneo na Polícia Federal com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid e outras autoridades.

Também passaram ao largo a operação contra seu filho 04, Jair Renan Bolsonaro, relacionada a um grupo suspeito de estelionato, falsificação de documentos, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, e as declarações do programador Walter Delgatti Netto, o hacker da Vaza Jato, sobre sua atuação em suposto esquema de descredibilização do sistema eleitoral para o pleito passado.

Bolsonaro desembarcou no início da tarde no aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), depois de mais de uma dezena de selfies nos voos na rota Brasília-São Paulo-Ribeirão.

O tour do ex-presidente em Barretos contou com sua participação na entrega de obras durante a tarde, numa agenda do governo estadual. Estiveram na entrega de casas populares e nas inaugurações de uma delegacia e de uma estrada vicinal.
Em seu discurso no estádio de rodeios elogiou o agronegócio e disse que "enquanto vivo eu estiver, estarei ao lado de vocês".
A presença de Bolsonaro na principal festa do gênero gerou debates internos entre a organização do evento. Discutiu-se permitir ou não que ele cavalgasse pela arena -como fez nas últimas três vezes em que esteve na festa-, falar ao público do palco da arena ou simplesmente aparecer, sem discursar. A definição foi pelo meio termo.

Autor do decreto legislativo aprovado pela Câmara local, o vereador Paulo Correa (PL) disse em sua proposta que o currículo de Bolsonaro, por si só, já justificaria a honraria.
"A entrega da homenagem é um reconhecimento aos trabalhos feitos por Bolsonaro a Barretos, ao agronegócio, ao estado e ao país", escreveu Correa numa rede social, num texto em que chamou o ex-mandatário de "eterno presidente".

Bolsonaro tem uma forte ligação com Barretos -e com os rodeios, consequentemente. O setor abraçou de vez o político após ele ter anunciado no estádio de rodeios da Festa do Peão de Barretos em 2019 um decreto que flexibilizava a legislação sobre os eventos em todo o país e, na prática, dificultava ações judiciais de entidades de proteção animal contra os rodeios.

O ex-presidente, assíduo nos eventos da cidade, também instituiu o Dia Nacional do Rodeio, a ser celebrado em 4 de outubro, data em que se comemora o Dia de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais. A medida foi criticada por associações de proteção.

No ano passado, durante a tentativa de reeleição, foi apresentado na arena como um misto de herói e salvador, andou a cavalo e sua presença motivou o locutor Cuiabano Lima, seu fiel seguidor, a comandar um Pai-Nosso. Esteve em todas as edições desde 2017.

Outros ex-presidentes já atuaram favoravelmente aos rodeios. Em 2001, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) sancionou lei que transformou o peão de rodeio em atleta, com garantia de seguro de saúde e previdência social e, no ano seguinte, assinou lei que regulamentou rodeios e estabeleceu normas sanitárias para proteger os animais.

Dilma Rousseff (PT), em 2011, sancionou uma lei que deu a Barretos o título de "capital nacional do rodeio". O projeto de lei tinha sido apresentado dois anos antes pela então deputada federal Luciana Costa, que é da cidade, e aprovado pelo Congresso.

Já o presidente Lula (PT) é visto com ressalvas por membros da organização do evento. O petista obteve 37,2% dos votos válidos no segundo na cidade, ante 62,8% de Bolsonaro.

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