'Vamos ser fortes para seguir o legado', diz mãe em enterro de médico na Bahia
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'Vamos ser fortes para seguir o legado', diz mãe em enterro de médico na Bahia

 


Perseu Ribeiro Almeida (lado direito da imagem), um dos ortopedistas mortos num quiosque no Rio de Janeiro, foi enterrado na Bahia

IPIAÚ, BA (FOLHAPRESS) - Centenas de pessoas se reuniram neste sábado (7), em Ipiaú, sul da Bahia, para dar o último adeus ao médico Perseu Ribeiro Almeida, 33, um dos ortopedistas mortos num quiosque da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

O sepultamento ocorreu após um comovente trajeto de aproximadamente 20 minutos entre o cemitério e o local onde seu corpo estava sendo velado.

No cemitério, amigos e familiares do médico prestaram suas últimas homenagens. Em breves discursos, destacaram sua dedicação à medicina e o impacto positivo que ele deixou na vida de muitas pessoas.

A mãe de Perseu, Elieda Maria de Almeida Ribeiro, 55, emocionada, ressaltou o legado do filho e a perda irreparável que a família está enfrentando.

"Quanta gente aqui por conta dele, das atitudes dele, da simplicidade e do coração bom que ele tinha. Vamos ser fortes para seguir o legado", destacou Elieda.

O corpo chegou no aeroporto de Ipiaú às 16h15 da sexta-feira (6) em translado realizado por uma aeronave fretada pelo Governo da Bahia. No mesmo dia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) visitou a residência da família do médico na cidade e se solidarizou.

"É um momento de muita dor perder um ente querido dessa forma. Estamos aqui para demonstrar o nosso apoio à família e à comunidade de Ipiaú", disse o governador.

Perseu e mais dois colegas médicos foram mortos na madrugada da última quinta-feira (5) em um ataque a tiros ocorrido em um quiosque na orla da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A polícia suspeita que os assassinos confundiram o ortopedista baiano com um miliciano da zona oeste carioca.

A comoção em torno do falecimento de Perseu foi sentida não apenas pelos entes queridos, mas também pela comunidade local. Como forma de homenagear o ipiauense, comerciantes fecharam as portas de suas lojas por 30 minutos na manhã deste sábado.

Natural de Ipiaú, cidade de 40 mil habitantes do sul da Bahia, Perseu Almeida escolheu a medicina como profissão seguindo os passos do pai, Luiz Andrade, ortopedista que morreu há cerca de dez anos em um acidente de carro.

Cursou medicina na faculdade UniFTC, em Salvador, e seguiu para São Paulo, onde se especializou em cirurgia de pé e tornozelo pelo Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Desde o ano passado, se dividia entre as cidades de Ipiaú e Jequié, distantes cerca de 50 quilômetros uma da outra. Na sua cidade natal, atendia no Hospital geral de Ipiaú e comandava a Cliorti, clínica ortopédica que havia sido de seu pai.

Mas desde o ano passado fixou residência com a mulher e filhos (de 11 e 3 anos) em Jequié, cidade de 158 mil habitantes, onde passou a trabalhar no departamento de ortopedia do Hospital Geral Prado Valadares.

Costumava atender e operar pacientes vítimas de traumas, sobretudo acidentes de trânsito. Era tido por colegas como um profissional qualificado e dedicado.

"Perseu era extremamente amistoso, tranquilo, sem vaidades e dedicado à profissão. Sempre ajudou muito nossa equipe, assumiu com maestria casos bastante graves", afirma Rodrigo Viana, coordenador do setor de ortopedia do hospital Prado Valadares.

Ele afirma que a morte de Perseu, nas circunstâncias de violência em que ocorreu, deixou os colegas consternados: "Foi uma fatalidade extremamente agressiva. Nossa equipe está muito comovida, todo mundo muito emotivo. As lágrimas vêm aos olhos toda vez que falamos dele."

Nesta sexta-feira (6), as bandeiras foram hasteadas a meio mastro e uma faixa sinalizando luto foi dependurada na frente do hospital. Diretora do Prado Valadares, Ana Paula Camargo classificou a morte do médico como uma perda imensurável.

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