'Passei por muita coisa enquanto estava grávida. Não tive um dia de paz', diz Gabi Cavallin sobre supostas agressões de Antony
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'Passei por muita coisa enquanto estava grávida. Não tive um dia de paz', diz Gabi Cavallin sobre supostas agressões de Antony

 


Gabi Cavallin denunciou Antony por agressão — Foto: Reprodução/Instagram

DJ que processa o jogador do Manchester United na Justiça brasileira e inglesa fala sobre o relacionamento de dois anos: 'Ele é muito bipolar'

A DJ Gabriela Cavallin, que denunciou o ex-namorado Antony Santos, jogador do Manchester United e da seleção brasileira, por agressões físicas e psicológicas, conta ao GLOBO que ter perdido o bebê que esperava dele, aos 4 meses e meio de gravidez, no ano passado, foi o que de pior aconteceu na sua vida. Ela acredita que o estresse, os sustos e as ameaças vividas no relacionamento com o atacante foram determinantes para o triste episódio. Antony, que foi desconvocado da seleção nesta segunda-feira, nega agressões.


Gabi Cavallin — Foto: Reprodução/Instagram

Nesta segunda-feira, o UOL publicou fotos, vídeos, conversas e depoimentos de testemunhas sobre as ameaças, intimidações e agressões físicas sofridas por ela. O GLOBO confirmou com a vítima os casos de abuso e agressão.

A DJ conta que, ao todo, desde o dia que começou a ficar com Antony até o dia em que voltou para o Brasil, deixando o apartamento que morava em Manchester, foram dois anos de relacionamento. E que as agressões físicas começaram no segundo ano. Antes, ela diz que o jogador a tratava mal, xingava e falava de forma mais bruta, principalmente por ciúmes.

— Ele me agrediu a primeira vez quando eu estava grávida — lembra Gabriela, que está no Brasil há três meses mas ainda não retomou a sua vida por completo. —A última vez que ele me agrediu foi quando machucou meu dedo com uma taça quebrada. Preciso fazer uma cirurgia de correção. Ele não dobra mais.

Como foi esta primeira agressão? O que aconteceu?

Foi numa festa. Eu terminei com ele quando estava grávida, não queria mais ficar com ele porque era muita briga. E saí para ir a uma festa. Ele estava lá. Em resumo, ele foi até o camarote em que eu estava, pediu para um segurança me buscar. Fui para o camarote dele e ele me mandou sentar. Fiquei a festa inteira sentada até a hora de ir embora. Ele não quis que eu fosse embora sozinha. Me puxou pelo cabelo e me colocou dentro do carro. Estávamos eu, ele e um amigo dele. Ele foi me batendo dentro do carro, me xingando. Pediu para parar o carro no meio de uma rodovia, desceu correndo no meio da chuva. Eu e esse amigo saímos correndo atrás dele. Ele tinha dito que ia se matar. Depois de uns 10 minutos, o encontramos deitado no chão, com a mão sangrando. Disse que tinha dado um soco em algum lugar, não lembro. Depois de muita luta conseguimos deixá-lo na casa dele.

E depois? O que aconteceu?

O amigo dele ia me levar embora mas estava dormindo no volante. Havia bebido. Parou num posto de gasolina para dormir dentro do carro. Tive de pedir para o pai do Antony para que alguém me buscasse porque eu estava sozinha, à noite, no meio da estrada entre Alphaville e São Paulo. Não dirijo e não conseguia carro por aplicativo. O Antony acabou indo lá me pegar. Ele tentou bater o carro com a gente dentro. Cheguei na casa do pai ele e pedi para um segurança me pegar lá.


Você chegou a fazer alguma denúncia após esta agressão? Achou que não ia acontecer de novo?

Não fiz nada. Nem cogitei isso. Além do fato de que estava grávida e não queria ficar sozinha, não queria passar a gravidez sozinha e não queria que meu filho ficasse sem o pai, eu perdoei. E ele disse que não faria de novo. Ele falou que se eu não o perdoasse ele ia parar de jogar, ia se matar, chorava muito... Tenho esses prints das conversas com ele. Ele falava que "meu filho ia nascer sem pai e a culpa vai ser sua". Eu acreditei que não ía acontecer mais.

Você foi agredida na barriga?

Não. Ele me chacoalhava pelo braço, batia minha cabeça no vidro do carro, e ficava me assustando. Freando o carro, jogando o carro na frente dos caminhões, no acostamento e dirigindo a 250 quilômetros por hora. Estava chovendo, inclusive. E eu falava que ele estava me assustando e que eu ia perder o bebê. E ele falava que ele, eu e o bebê íamos morrer.

Você perdeu o bebê após este episódio? Ele te agrediu de novo antes de perder o bebê?

Depois de uns 20 dias, eu perdi o bebê. Na verdade, no outro dia eu tive um sangramento, fui para o hospital, e continuei a sangrar por uns 20 dias. Quando voltei no hospital, a médica disse que a bolsa havia estourado e que eu teria de fazer um parto. A bolsa estourou mas o coração dele continuava a bater dentro da minha barriga. Eu ouvi no ultrassom. Não tinha entendido muito bem a gravidade da situação. Até que ela explicou que não tinha o que fazer... ele não poderia ser entubado, tinha apenas 4,5 meses. Ela me deu a opção de vê-lo antes da liberação (do corpo). Ele nasceu com vida, mas por pouco tempo. Fiz o parto normal, induzido, cerca de 30 horas. Minha mãe o viu, o pegou no colo. Eu não o vi. Não quis ver. De longe foi a pior coisa que aconteceu na minha vida.

Que traumático...

Sim, por isso eu não quis ver. Foi em julho de 2022, Antony não estava aqui. Já tinha voltado para Amsterdã. Só acompanhou de longe e disse que quando eu me sentisse melhor e pronta para voltar, que eu voltasse. Foi a minha mãe que ficou aqui (no Brasil) comigo. Um mês depois eu voltei.

Por que você acha que perdeu esse bebê?

Perdi por tudo o que passei enquanto estava grávida, todas as discussões, as brigas, todos os sustos que ele me dava, o estresse que me fazia passar, tudo que me xingava, e era todo o dia, tudo o que me ameaçava... Me chamava de tudo quanto é nome quando eu saía para fazer alguma coisa. Quando ele tentou me matar nesse dia do carro, quando me bateu. Foi um conjunto. Passei por muita coisa por causa dele enquanto eu estava grávida. Eu não tive um dia de paz.

Ele falava que queria, que estava muito feliz e que queria muito ser pai de novo. Sempre, todo os dias, dizia que estava feliz e que queria que o Luca chegasse logo. Ele é muito bipolar. Ao mesmo tempo que ele estava bem, dava cinco minutos e ele já não estava mais.

Por que teve dificuldade de sair deste relacionamento?

Não sei como explicar... eu sempre fui a pessoa que mais criticou esta atitude nas outras pessoas. Sempre quando alguma mulher ou uma amiga ou conhecida dizia viver em um relacionamento abusivo, que aceitava discussões, ofensas e até agressão, eu falava que eu nunca aceitaria. Que não existia gente no mundo que faria com que eu aceitasse isso. Só que quando você vive... não acontece do dia para noite. A pessoa te encaminha para isso. Primeiro a pessoa te afasta dos amigos, depois te afasta do celular, da família. Eu morava lá sozinha (após dois meses com ele, Gabriela passou a morar sozinha e não mais com o jogador), não tinha amigos, família, não tinha rede de apoio. Era eu e ele, a família dele, os amigos dele, os funcionários dele. Só o via na minha frente, eu achava que só tinha ele. Eu não tinha mais a minha casa no Brasil, meu carro, minha família perto, meu trabalho... Ele sempre me fez acreditar que era por minha culpa. Você me provocou, você me causou ciúmes. Sempre quando eu falava que ia me separar ou tomar uma atitude, ele dizia que ía se matar, sumia de casa, que tudo o que acontecesse seria culpa minha. Eu me sentia culpada realmente. E ficava por medo. Medo dele se matar, medo de perdê-lo. Me culpei por muito tempo. Hoje, de fora, vejo que não é sobre mim. Não importa se eu era a pessoa mais certa ou mais errada do mundo. É sobre ele.

Ele chegou a confiscar seu passaporte?

Sim, pegou tudo. Quebrou minhas coisas, minha mala. Voltei para o Brasil com a mala sem rodinha. Conseguiria embarcar de qualquer forma. Era só ir à delegacia e avisar sobre a perda do documento. Decidi nesse dia que ia voltar para o Brasil, nem que fosse com a roupa do corpo.

O que aconteceu nesse dia?

Foi no dia que ele me trancou e disse que eu só sairia de lá morta. Foi quando parei de duvidar do pior. Foi o último dia, da última briga, 8 de maio. Foi quando ele quebrou o meu dedo. Ele reclamou que eu fui atender o celular longe dele. Era a minha mãe. Estávamos num churrasco em casa. Ele surtou, quebrou meu celular e começou a gritar comigo. Puxou meu cabelo, me deu tapas... Quebrou uma taça em mim, eu coloquei a mão na frente e por isso meu dedo cortou.

Você teve medo de morrer?

Só tive mesmo no último dia. Quando ele me trancou em casa. Antes eu sempre o defendi. Não posso mentir, várias vezes tentaram me avisar. Família e amigos. Que uma hora ele ia fazer algo grave. Existiam indícios, um soco que tirou meu silicone do lugar (seio), quando cortou a minha cabeça (com uma cabeçada)... Eu não acreditava que ele faria algo (mais sério), nem mesmo no dia da briga do carro.

Onde você está?

Vim para para o Brasil, na casa da minha mãe (Maria, de 57 anos, aposentada). Ficar com ela e me cuidar. E quando ele chegou de férias no Brasil, eu fui na delegacia e fiz uma denúncia, até para ter uma medida protetiva. Isso foi em junho. Nunca mais nos falamos, nem nos vimos.

Como você está?

Foi muito importante me sentir segura de novo. Porque lá (na Inglaterra) eu me sentia sozinha, sem ter para onde correr. Eu queria minha família e amigos. Quando cheguei na casa da minha mãe, eu chorei muito, pedi perdão para ela por ter aceitado tudo isso. Porque que quem mais sofreu foi ela. Ela sabia de tudo que eu passava, tentava abrir meus olhos e eu não a ouvia. E não entendia que ela sofria muito mais, com medo, por me ver sozinha, longe e doente. Eu tive anemia, pesei 49 quilos este ano. Fiquei muito mal. Me sinto muito culpada pelo que fiz minha mãe passar. Eu ficava sempre contra ela e do lado do Antony. Isso é o que mais me dói.

Você acredita que ele, um jogador de futebol da seleção brasileira, será responsabilizado pelo que fez?

Tenho medo que não, mas acredito muito na minha equipe e quero acreditar muito na Justiça do Brasil e da Inglaterra. Ninguém tem de sair impune de nada do que faz na vida. Rico ou pobre. Famoso ou anônimo. A lei tem de ser igual para todos. Acredito que terei justiça.

O que você quer que aconteça? O que seria justiça para você?

Quero acreditar que o clube e a seleção também vão se sensibilizar com a situação, com o que aconteceu. Muitos jogadores e pessoas próximas a ele me conhecem, têm contato comigo, sabem que foi sério. Muitos presenciaram ataques de ciúmes, sabem que ele é instável. Tanto que ele não tem amizade dentro da seleção, não anda com ninguém, não participa de nada porque já sabem como ele é. E justiça para mim? Prefiro que a Justiça diga o que é o justo. Prefiro que o juiz decida. E tudo o que acontecer, não será culpa minha. É tudo culpa dele.


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