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Jotta A rebate ataques após transição: 'Ignorância normalizada'

 


Ex-cantor gospel passou em março por uma cirurgia de feminização, quando colocou silicone nos seios

A cantora Jotta A, de 25 anos, contou como lida com os ataques que recebe por ter passado por uma transição de gênero. Ela ficou famosa na infância como cantor gospel e iniciou o processo de transição há dois anos, durante a pandemia da Covid. Em fevereiro, a cantora mudou de nome no civil, passando a se chamar Ella Viana de Holanda.


Um mês após mudar o gênero e nome, a artista se submeteu à uma cirurgia de feminização, realizando procedimentos para contorno dos ossos, recontorno da testa e intervenções no nariz, além de colocar próteses de silicone nos seios.



Veja fotos da cantora Ella




"Antes eu me estressa com mais frequência com o fato da ignorância ser tão normalizada. Hoje, conto até três e busco paz em coisas que me agregam. Nenhuma briga é válida, porque a gente já tem paz no nosso espírito. Mas claro que tem gente que acaba levando um processozinho por falar demais, desrespeito. Estamos no século 21, transfobia é crime. Mas estou em paz comigo mesma. Já nem me pilho. Estou zen", respondeu Jotta A na redes sociais.

Jotta, que segue usando o nome artístico com o qual foi lançado, aproveitou a pergunta que uma fã fez sobre transforbia para dar uma aula sobre transgênero.

"Estudem, por exemplo, sobre os ameríndios e vocês vão ver que a binariedade é imposta pelos europeus a partir da colonização. Os ameríndios tinham um sistema de gênero que era homem, mulher e dois espíritos. Não existia essa questão de binariedade como vemos hoje. Então, se vocês estudarem, vocês vão ver que a partir dos ameríndios, transgêneros e muitas coisas que a sociedade nos faz crer que além de ser sodomita, errada, que muitas pessoas morreram através dessa ideologia, vocês vão ver que eram coisas normais na cultura deles. E eles não tinham essa ideologia de demonizar, como nós fomos demonizados a partir da colonização e da ´cruz e a espada'. Se vocês estudarem um pouco vocês vão ter paz no espírito de vocês para serem livres. Quando nós estudamos e nos libertamos dessas coisas impostas, nenhuma briga é valida", disse.

Ella ficou conhecida ao vencer a competição de calouros do "Programa Raul Gil" quando era criança. Posteriormente, ela assinou com uma gravadora gospel e lançou alguns álbuns no segmento. Em 2014, o disco "Geração Jesus", do ano anterior, foi indicado ao Grammy Latino.

A artista assumiu publicamente ser mulher trans em abril de 2022, dois anos após deixar a carreira gospel. "Recomeçar não é fácil, mas estou feliz por estar vivenciando todo esse processo. Feliz em ter tantas pessoas que me apoiam e acreditam em mim nessa nova etapa", disse ela, na ocasião.

Em março, ela falou sobre o processo de transição em um vídeo divulgado pela clínica responsável por fazer os procedimentos estéticos na artista.

"Minha transição de gênero começou na pandemia, mas primeiro eu me assumi como uma pessoa LGBTQIA+. E como eu venho de uma família muito religiosa, então, foi bem difícil essa transição, primeiro essa autoaceitação. Assim que eu fiz a transição, o primeiro passo foi a terapia hormonal. Foi bem legal", contou.

"Me acho uma mulher corajosa. Acho que o meu corpo a cada fase se comporta de uma maneira. A leitura de gênero pode se manifestar desde que você é criança. Eu, quando criança, já me olhava e me imaginava uma maneira. Eu me vejo além de uma maneira da que eu já sou", completou.

No vídeo, Ella também relembrou sua origem em Guajará-Mirim, Rondônia: "Comecei a minha vida num lugar muito pequeno, muito simples. (...) Como eu cresci na igreja, eu me privava muito de me autoconhecer, eu tinha toda a questão de conservadorismo ao meu redor, que me impedia de me vestir, de me expressar. Mas aí, quando a mamãe saia, eu botava um lenço na cabeça, um salto dela, e me divertia em casa sozinha".

"Tudo isso gera impacto nas nossas vidas, pois são lembranças que para sempre vão ficar, de como foi o processo. Hoje eu estou vivendo uma fase de ser livre, de sair do casulo, mas jamais eu posso esquecer de todo aquele momento de aprisionamento e ao mesmo tempo de escola, de você aprender a, mesmo você não tendo um cabelo, uma roupa que você quer, você já se sentir mulher. Essa questão de você ser mulher não tem a ver como você se expressa somente, mas, sim como você se sente", disse.



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